domingo, 13 de maio de 2007

Mudança de endereço

Este blog passou agora a ser dedicado ao desassossego das consciências e prometo não voltar a dizer que o José Magalhães é de extrema direita, vou só continuar a denunciá-lo, a ele e à pandilha que o acompanha.

Agora estou em:

Sem Penas http://sempenas-ant.blogspot.com/

Agradeço a vossa visita.

terça-feira, 8 de maio de 2007

O homem de Guantánamo

O primeiro post tinha que ser dedicado a esta personagem singular da extrema-direita portuguesa: José Magalhães. O seu CIT, centro de instalação temporária, no aeroporto do Porto, para emigrantes ilegais, demonstra como poderia ser o Guantánamo Português se tivéssemos recursos para tal (e a Europa deixasse).

O governo de Bush, de esquerda e respeitador dos direitos humanos, teve que recorrer a um espaço fora do seu território nacional (ao abrigo das suas próprias leis e tribunais), para criar o seu CIT. Para o qual, como sabemos, temos contribuído com um generoso apoio logístico.
Ao que se sabe nesse espaço, na ilha paradisíaca de Cuba, as pessoas são bem tratadas, sendo-lhes distribuídas roupas confortáveis e refeições de uma dieta equilibrada.

No CIT português, ou seja no nosso Guantánamo, onde pessoas sem culpa formalizada, são detidas contra a sua vontade e fora das leis vigentes no país, as pessoas são encarceradas em contentores de obras e alimentadas a rações distribuídas nos voos comerciais. Tal como em Guantánamo ficavam meses à mercê das autoridades sem direito a constituir a sua própria defesa.

Uma denúncia da SIC pôs fim a esta brincadeira. O CIT não foi extinto, mas transferido; e se a imprensa nacional, estivesse realmente comprometida com a verdade, teríamos ficado a saber como funciona actualmente. (Este silêncio da imprensa, que se segue a um vórtice noticioso, é para mim a verdadeira causa do aquecimento global.)

Mas o que aconteceu ao José Magalhães? Pediu desculpas? Demitiu-se? Não. Este tipo de procedimento parece-me estar apenas reservado aos homens de esquerda, veja-se o exemplo de Rumsfeld: a demora na democratização do Iraque foi o suficiente(!) para que ele se demitisse!

O amigo dos americanos

O meu segundo post tinha que ser dedicado a esta personagem colorida, de verticalidade e coerência da política nacional: Freitas do Amaral.
Quando Sócrates nomeou Freitas para MNE, o mundo tremeu! O maior inimigo de Bush tinha ascendido a MNE de um país da NATO: temeu-se o pior, o fim definitivo do eixo atlântico, se não, a própria queda de Bush!

Mas, quando Freitas teve a oportunidade de desmascarar a administração Bush, por causa dos voos para Guantánamo, agiu com extrema cautela e numa primeira fase deu-se por satisfeito com as garantias dadas por Condoleezza Rice!

Que menino tão bem comportado!

Não fosse essa inenarrável criatura que é a Ana Gomes e teríamos ficado por aqui. Foi preciso arrastar o nome de Portugal pelo chão do Parlamento Europeu, para descobrirmos que afinal, estes voos eram encarados pelas autoridades nacionais como mais um voo de carreira. Afinal o serviço a bordo não era da nossa responsabilidade!

Sócrates, que nunca perdoou a Freitas alguns tiques de esquerda (embora saloia), sentiu-se particularmente incomodado com toda esta situação: sempre era um ministro do seu governo! No mínimo exigia-se alguma dignidade face ao passado recente de oposição aberta aos chamados “atropelos” da administração Bush. (Estes “atropelos”, como se sabe, são o sério esforço de levar a democracia aos quatro cantos do mundo, algo que sempre incomodou os homens de direita.)

E lá correu com o menino d’oiro.

Condoleezza Rice, em privado, lamentou o sucedido: “Perdeu-se uma voz independente e esclarecida.”

Existiu o 25 de Abril?

A 28 de Abril de 1974, Mário Soares entra em Vilar Formoso, no comboio da liberdade, vindo do seu exílio de Paris.

É levado por populares e amigos, em delírio, até um palanque, onde de megafone na mão faz um discurso de apelo à liberdade e democracia.

O chefe da estação, acompanhado de um oficial, dirige-se a Mário Soares. Este por momentos pensa que vai ser preso…

O militar saúda-o com uma continência e permanece em sentido, enquanto, o mais humildemente que é possível, o chefe da estação pede que sua excelência se digne a permitir que o comboio retome a sua marcha.


Nada havia mudado, o saloio podia agora gritar vivas à liberdade e exigir democracia, mas tinha que esperar sentado que sua excelência se digne autorizar o comboio a prosseguir a sua viagem.

O 25 de Abril foi um interregno que já chegou ao fim. Após uns anos de crescimento económico, de melhoria das condições de vida, do acesso generalizado à educação, aos cuidados básicos de saúde, à protecção na velhice, etc.. voltámos à realidade.

Somos um país que embarca facilmente em teorias: a do utilizador pagador que desertifica o interior e cria assimetrias que sufocam os grandes centros urbanos, comprometendo a qualidade de vida para todos. A promiscuidade entre sector público e privado destrói todo o estado social em nome do equilíbrio das contas públicas.

As pessoas são forçadas a aceitar ordenados baixos e precariedade no emprego, enquanto os gestores bancários de topo ganham milhões de euros anuais; o equivalente a 10% dos lucros do banco é distribuído pelo seu conselho de administração!

Não. Hoje sente-se a Europa em Portugal e sabemos que a democracia não está ameaçada porque perderíamos os dinheiros de Bruxelas…

…mas, ninguém diria que por aqui houve uma revolução
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