A 28 de Abril de 1974, Mário Soares entra em Vilar Formoso, no comboio da liberdade, vindo do seu exílio de Paris.É levado por populares e amigos, em delírio, até um palanque, onde de megafone na mão faz um discurso de apelo à liberdade e democracia.
O chefe da estação, acompanhado de um oficial, dirige-se a Mário Soares. Este por momentos pensa que vai ser preso…
O militar saúda-o com uma continência e permanece em sentido, enquanto, o mais humildemente que é possível, o chefe da estação pede que sua excelência se digne a permitir que o comboio retome a sua marcha.
Nada havia mudado, o saloio podia agora gritar vivas à liberdade e exigir democracia, mas tinha que esperar sentado que sua excelência se digne autorizar o comboio a prosseguir a sua viagem.
O 25 de Abril foi um interregno que já chegou ao fim. Após uns anos de crescimento económico, de melhoria das condições de vida, do acesso generalizado à educação, aos cuidados básicos de saúde, à protecção na velhice, etc.. voltámos à realidade.
Somos um país que embarca facilmente em teorias: a do utilizador pagador que desertifica o interior e cria assimetrias que sufocam os grandes centros urbanos, comprometendo a qualidade de vida para todos. A promiscuidade entre sector público e privado destrói todo o estado social em nome do equilíbrio das contas públicas.
As pessoas são forçadas a aceitar ordenados baixos e precariedade no emprego, enquanto os gestores bancários de topo ganham milhões de euros anuais; o equivalente a 10% dos lucros do banco é distribuído pelo seu conselho de administração!
Não. Hoje sente-se a Europa em Portugal e sabemos que a democracia não está ameaçada porque perderíamos os dinheiros de Bruxelas…
…mas, ninguém diria que por aqui houve uma revolução.
2 comentários:
as ditaduras e sistemas de autoritarismo geram pessoas cujo pensamento é "safar-se". Cada um por si. Sem controlo, foi o que desatou toda a gente a fazer a seguir ao 25 de Abril. Safaram-se os professores, os juizes, os fiscais, os arquitectos das camaras, os engenheiros das camaras, os autarcas, os políticos em geral, os empresários... É preciso esperar por uma geração com sentido de responsabilidade social para que exista uma democracia que funcione.
Precisamos do Sarkosy ou do Alberto João!
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